O vento e a chuva são meus velhos companheiros. Permeiam minha dor tornando minha alma insensível aos reveses da vida. Sou um nada acolhido no útero da escuridão. As descargas virulentas do ego ainda ecoam na memória, mas nada mais sou que um mísero espectro sem vida. Postado na soleira da fria e solitária cripta, observo os fantasmas que acompanham minha derrocada. Estou parado no tempo, na terra, na vida, no tudo. Um ser sem horizonte que anseia pelo golpe que lhe traga a paz. (...) Um relampejar sobrevoa o mausoléu que me acolhe. Da cripta posso medir os passos que as faíscas executam no manto negro da noite. As horas se arrastam com maior morosidade. Já não há mais lua ou estrelas, tudo é breu neste meu mundo de sofrimento e morte ..